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Caminhos Cruzados – Jessica de O. Mendonça

Antes de ir, devolva-me o tempo que passamos juntos. Devolva-me o sorriso bobo que precedia nossos encontros. Devolva-me a dignidade enforcada com as linhas de meu nome misturado com o seu numa folha de caderno. Devolva-me as ilusões infantis que um dia eu jurei jamais nutrir. Devolva-me as palpitações sempre que acordava com seu “bom dia”. Devolva-me suas quintas-feiras livres e seu futebol de quarta. Devolva-me você idealizado e eu fingirei jamais te ter criado. Como dói perceber que não te quero. Leio todas nossas mensagens trocadas e procuro por evidências que me fugiram aos olhos. Não é que me sofra não te ter por perto. É que eu já decorei sua rotina e você faz parte da minha. Você leva consigo muito de mim e eu me quero de volta! Devolva-me os vestidos que comprei para que você me visse como eu me vejo, os sonhos bobos de conhecer sua família, a inocência de te revelar para a minha. Devolva-me a simplória frustração de estar sozinha. Devolva-me a paz de não conhecer os seus problemas. Eu quero te ignorar e voltar a minha vida antes tão amarga, mas tão simples. Não é que eu te queira de volta. É que há tempos você já é meu e, eu, sou sua.

Maio/2014

O que eu não sei sobre o amor – Renato Miguel

Aonde você foi?
Há tempos foste embora.
A imagem do teu canto
Não tarda, mas demora.
Quem disse que há vida
Nos veios desta estrada?
Cala e me assombra.
Berra e não diz nada.
Prossegue e não enxerga.
Procura e não encontra.
Discursa e ninguém ouve.
Não bebe, mas derrama.
Tu sangras sem chorar.
Tu choras sem sofrer.
Cortou-se sem sangrar,
Matou-me sem saber.
Não sabe o que te espera
Nesta cidade morta.
Lá, a mágoa é que é sincera;
Lá, o falso é quem te exorta.
Não olha o que lhe salta
Às portas da visão?
Não sabe que as palavras
Não seguem o coração?
Tens tudo e não tem nada
Este ouro não é seu.
Teu corpo é belo e triste.
Tua aura é feito um breu.
[Mas, veja…]
Houve um findo tempo
De lágrimas vertidas,
De tristes desalentos,
De flores não colhidas,
De um céu frio e cinzento,
De joias destruídas.
Mas foi-se, não há mais.
Despreza esse rancor.
Não olhe para trás
Não dê razão à dor.
Não sonhe com as estrelas.
O céu não podes tocar.
Não se iluda com promessas.
Não se deixe acreditar
Que a rotina é uma aventura,
Que o amor já se perdeu,
Que a tristeza não tem cura,
Que há fulgor maior que o seu.
Porque vejo aos pés de Deus
Velhos homens terminados.
Amargor no céu da boca
Olhos tristes, desolados.
Podes ler este poema
E a estes homens explicar
Que ao viver não há dilema
Se souberem o que é amar.

Mimosa Pudica (a paz que queima) – Renato Miguel

mimosa-pudica

 

Essa noite eu renasci na babilônia.
Nos acordes e trovoadas, na névoa sagrada, desperto eu sonhei.
No intenso azul, no mar de ideias vi teu nome.
Nos olhos vermelhos. Na doce risada. Do mundo eu fui rei.

Essa noite eu pus minha mente na estrada.
Mochila nas costas. As asas quebradas. Nas nuvens vivi.
À verde flor, à paz que queima ergui uma taça
A boca faminta. A face cansada. A tudo eu sorri.

No céu de estrelas eu enxerguei uma nebulosa,
Que feito uma rosa – gentil e espinhosa – pra ti embrulhei.
Mimosa pudica! Sem medo da morte, lancei minha sorte.
Não sei se fui forte, não que hoje isso importe, tua imagem toquei!
Mas fechou-se, manhosa! És tu carinhosa? Há vida em tua rosa?
Há espinhos, já sei!
Mas não precisavas sofrer, tão dengosa!
À noite, em minha porta, no vale da sombra, a ti colherei.

Porque eu sou o nada que herdará o céu e a terra!
Deitei sobre a relva. Minha dor veio aos berros. Num canto sangrou.
À sombra de Deus, meu peito prostrado e lasso te espera.
Não sei dessas regras. Sou quase um poeta. Minha alma acordou.

 

O que sobrou da fé – Renato Miguel

red kite in the sky

 

 

 

 

No meu céu há estrelas que brilham e astros que morrem

No meu rosto há um passado sereno esquecido por mim

No meu chão há buracos e um sangue que não me comove

No futuro, um mar de horrores a graças que ainda não vi

 

No meu peito há um vazio de anos que a ti despertou

Nos teus olhos, fulgor e promessas de um novo verão

Mas de Deus, dos meus sonhos e cantos, já nada restou

Da minha fé o que resta são versos dessa pobre canção

 

Teu sorriso ilumina e aquece minha face vazia

Esse rosto, tão frio e ansioso que grita por ti

Minha fé não vê céu ou inferno, nem morte, nem vida

 

A Palavra é um livro simplório tal quantos que li

Mas, senhora, não fujas de mim, sou alma perdida

Teu olhar é o Deus que eu conclamo, é a fé que eu pedi.

Olha, cara… – Renato Miguel

– Olha, cara, preciso te falar uma coisa. Na amizade mesmo, porque te considero muito mesmo, quase como um irmão, sabe? É que você às vezes é chato. Não é sempre, mas às vezes. Quer dizer, várias vezes. Muitas vezes você é muito chato. As pessoas não gostam muito de você. Quando você chega elas inventam uma desculpa pra ir embora, ninguém te aguenta por muito tempo. Não sei se é a sua voz que é irritante ou se é o fato de você ser meio inconveniente. Você fala coisas que não deve, pras pessoas erradas. Isso deixa todo mundo meio injuriado, num nervosismo contido. Aí todos têm que fingir que aceitam numa boa, quando na verdade estão é te xingando em pensamentos. Outra coisa que eu queria te falar é que você é muito sem graça, rapaz. As suas piadas são inoportunas, fracas e muitas vezes de gosto duvidoso. Ninguém te acha engraçado, embora você se esforce muito pra isso. Chega a ser ridículo, na verdade, quando você tenta ser espirituoso. Te falo numa boa, porque sou muito seu amigo e gosto muito de você, mas eu sempre tenho que fingir que estou rindo de algum gracejo seu, quando na verdade eu queria poder cuspir no chão. No entanto, pra ser justo, acho que também ocorre um certo preconceito por parte das outras pessoas em razão de você ser um cara limitado. Assim, numa boa mesmo, porque somos amigos, mas você é uma pessoa burra, estúpida, até. Não diria ignorante, é só burrice mesmo. Você fala coisas que me fazem rir por dentro de tão absurdas que soam. Sério, você fala muita merda. Na verdade, de cada dez coisas que você fala, oito deveriam ter saído da sua bunda, com todo respeito à sua bunda heheh. Mas falando sério, você é massivamente burro. Com toda a sinceridade, você é uma das pessoas mais burras que eu já conheci. E olha que eu conheço muita gente burra, muita gente mesmo mesmo. Só tô te dando esse toque porque somos amigos. E por falar nisso, já que estamos sendo sinceros aqui, acho que você devia fazer alguma coisa, sabe? Em relação à sua aparência, porque é meio que um consenso que você é muito feio. Um dos caras mais feios da cidade. Sério mesmo, quando eu vejo a sua cara se aproximando, meu estômago fica embrulhado imediatamente. Eu nem gosto de comer próximo a você pra não sentir vontade de vomitar, tamanha é a sua feiura. Não sei se é o corte de cabelo meio medieval, se são as suas roupas horrendas e surradas, mas às vezes parece que você é deformado ou algo assim, com todo o respeito, não quero ofender, só dar um toque, porque somos amigos. E outra coisa que é bom falar, já que estamos aqui, é que você fede muito, rapaz. Quando a gente se conheceu eu fiquei cerca de quarenta minutos achando que tinha pisado num bolo de merda, até que eu notei que esse cheiro nauseabundo vinha de você. Não sei explicar muito bem, mas é uma mistura de animal morto e resíduos de lixo, sei lá. Não que me incomode tanto, já estou mais ou menos acostumado, apesar de eu só respirar pela boca quando tô perto de você, mas, de qualquer jeito, não há problema. Eu só digo essas coisas porque gosto muito de tu, cara. Sério mesmo, você pra mim é um irmão e só quero te ver bem.

– Poxa, irmão, valeu pelo toque! O que precisar é só falar comigo, hein! Tu é o cara.

Marianne – Renato Miguel

Marianne
De liberdade é feita tua bandeira
No teu cabelo ramos de oliveira
De igualdade é tua voz brilhante

 

Marianne
És meu espelho que o outro observa
Teu nome heroico, feito em fogo e pedra,
guiou estrelas de canções distantes

 

Marianne
Tua luz é água num plano de gelo
Degela-me o corpo; encanta, em paz, o outeiro
em que um calvário ardia, triunfante

 

Marianne
A tez de pedra fez ruir, quebrar
Teu olho líquido, só, quis despertar
Nos erros meus te vi em diamante

 

Marianne
No seu sorriso, os tesouros do mundo
Efígie nobre em meu amor fecundo
Altar em prata, fé edificante

 

Marianne
Sem tua brisa o veleiro naufraga
Sem tua força este mar seu deságua
Sou nau perdida em rio, à jusante

 

Marianne
Quem é seu Deus que não me revelou?
Por que demoras, se aqui estou?
Em noites claras ouvi, em canto, teu nome.

 

Oh Marianne!
Hoje sou nobre, soldado e trovador
Linguista, heroi, sou homem e seu senhor
Contemplo, ao longe, teu eco retumbante.

A Moldura Nova – Mohand Araújo

Tzm 016
 
Eu andava a esmo
Viajante habituado
 Sobre o entulho o que vejo,
 Seria esse um novo achado?
 
Não muito distante, já embalados a caminhar
 Andavam seguros, certos, sem titubear (Ir)responsáveis do descarte
 Não cabia ali uma arte?
 
O casal gentil
Sem espanto me ouviu
 Corri atrás com o bem na mão
Velha conhecida a minha indagação
Exponho aqui o que pus em questão:
 
– Por quê lançar fora uma moldura vazia?
 – Pareceu-nos velha e fria.
 – Mas está nova!
 – Para nós se assemelha a uma cova.
 – Isso não é coisa de gente boa da cabeça não.
– Rapaz, nessa vida existe homem são?
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Ser Honesto – Thiago Amério

depois da tempestade 4

 

Ser honesto é falar o que pensa?
Mas pensamento é constante
numa Incontrolável tensão.
 
Ser honesto é agir como você é.
Mas se mudamos sempre
quem eu sou agora frente
ao modo como me portei?
Será que permaneço daquele jeito
ou realmente mudei?
 
Ser honesto é se levar aos sentimentos mais puros.
Mas onde fica a razão? O livre-arbítrio? O razoável?
E o coração?
 
Ser honesto não é afável. Ser honesto pode ser confuso e contraditório.
Ser honesto é apenas tentar viver de verdade. 
 
Pra ser sincero, ser honesto não tem resposta.
 
Portanto, suponha sempre fazer tempo de honestidade,
a estação tenta viver e nós, sem querer, criamos o arco-íris
ou as tempestades.

A luz que vem de cima – Renato Miguel

O display do relógio digital à minha frente e à direita marca três horas da tarde. Na verdade são duas horas, considerando o horário de verão. À minha frente repousa um livro aberto, entre os cotovelos frexionados e apoiados sobre a mesa. Já não lembro em qual página parei, pois já faz algum tempo que não dou atenção à leitura. Concentro-me num zumbido que vai e vem próximo a mim. Às vezes vem da esquerda, outras, da direita. Hora vem de acima, depois um pouco abaixo. As moscas são as companheiras fiéis de um dia de calor, especialmente quando falta energia elétrica. Não lembro quando passei a me concentrar no zumbido, mas acho que o fiz na tentativa de tolerá-lo. Certo estava, pois agora já não me incomoda. Muito ao contrário, exerce agora sobre mim um estranho efeito analgésico e já quase não sinto mais o calor. Aliás, lembro do calor apenas por uma gota de suor que escorre por minha nuca e pára no ombro. Outra gota desliza pela minha testa e vai dar na ponta do meu nariz. Despenca e cai sobre a página do livro aberto, formando uma mancha escura que me parece bem similar ao mapa da Groelândia. Lê-se, ali, na enrugada mancha úmida, a palavra sono. É mesmo essa a palavra ou estou a imaginar coisas? Sorri ao pensar nos caminhos surreais que pode percorrer uma mente entorpecida pelo marasmo. Apoio a cabeça nos braços dobrados sobre a mesa e sinto o calor irradiando através dos olhos e das orelhas. Fecho os olhos bem apertados e tudo o que consigo ver é o sol. Abaixo dele há um grande prédio. E lá no meio há um grande pátio, também tomado pelo sol. Vou andando e ela vem em minha direção. Por trás dos óculos escuros seus olhos ocultos fazem de conta que não buscam os meus, tão devassados e sinceros sob o claro e escaldante céu de novembro. Desperto num rompante. O ventilador, que de repente gira furioso, refresca e evapora as milhares de gotículas de suor que florescem no meu rosto. A energia voltou, que estranho, pensei. Já havia me habituado àquele mundo úmido e quieto. Sentia falta do zumbido visitando meus ouvidos, embotando a mente e causando aquela bem vinda hipnose. Fecho os livros, cato os óculos e vou em direção à rua, ávido por caminhar sob a vigília do sol.

27.01.2014

Só negar é verbo – Thiago Amério

Só negar é verbo – Crítico omisso

 

Só negar é crime.
Sabe, só nego a informação.

Só ‘nêgo’ que fica dizendo um monte de coisa,

mas quando é testado em frente dos outros

só nega aquilo que todo mundo está careca de saber.

Só negar é verbo.

É um verbo de não contar a verdade

ao passo que também é um advérbio de nunca…

nunca estar agindo (no infinitivo)

conforme deveria ser o agir da consciência (instintiva).

Ou seja, é fugir a cada passo da sua parcela de contribuição.

Ou acha que o mundo por si, roda em nossa mão?

Seríamos diretores exclusivos do destino de cada, cada ser?

 

Só negar imposto e dizer que não pagará nada

é negar a existência do Estado.

É agir impulsivamente todo endiabrado.

Voltamos para a vida selvagem? Ao olho por olho dente por dente?

 

Alguns acham que o excesso e o extremo levam pra frente,

embora até façam seu papel ao impulsionar (ou intrigar) nossas mentes.

 

 

Só negar dizendo que não pode isso, não pode aquilo,

não tem dinheiro pra isso, não tem tempo para aquilo,

na realidade, é ser extremista, vazio e “critiqueiro” –

(mistura de crítica com cinzeiro).

 

Só negar e nada fazer é hipocrisia.

É tão ruim quanto só aceitar e fazer errado.

Não “sempre aceite”, mas também…

Não “só negue”.

 

Use o sim construtivo.

E a vida (melhor) segue.

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Olhar Raso – Mohand Araújo

Iceberg de questão
 
O escritor cauteloso
Tece palavras, frases e enfim seu texto
Em cada traço se fez zeloso
Para enfim chegar a um desfecho
 
E assim foi feito
Feito bebê vacilante
Que ensaia um passo
Feito jovem galante
Que com canudo em mãos indaga “O que faço?”
 
Foi posto na roda
Malgrado o pudor
Por carinho ele roga
E que toque o interlocutor
 
Quem vê, displicente!
Certo de ser sagaz
 Em sua alma não sente
 A emoção do caminho que o escritor perfaz.
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Mentira – Nathália Lira

mentira
 
Mentira tem perna curta,
Longa o suficiente pra dar rasteira.
Mentira causa ferida profunda,
Corroi mais que fofoca de feira.
 
Antes de contar um conto,
Ouça o que o outro tem a falar.
Pode-se evitar o abismo,
Basta não querer se aproximar.
 
Mentira afasta as pessoas,
retalha o coração.
E dependendo dos rumos,
Sepulta laços.

“Aqui ninguém vai pro céu” – Renato Miguel

GodMenAndWomen

“Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?”

Um dia eu andei pela praia e marquei uma areia que eu nunca espalhei. Mirei em volta e contemplei um mar que não me pertence. Olhei pra cima e vi estrelas e um céu que eu nunca criei. Senti no meu rosto um vento salgado que eu nunca soprei. Levei na pele as gotas da chuva que eu nunca chorei. Senti nos ossos os anos do tempo que nunca me chamou de senhor. E nos livros aprendi a história do mundo que eu não partilhei. Nas tempestades, ouvi em relâmpagos os acordes que eu não concebi. Nada disso eu fiz, nada disso eu sou, porque sou só um homem. Nunca neguei a falibilidade a outro homem, porque sou só um homem; dele nunca exigi a perfeição, porque sou só um homem.

 “Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel

Aqui ninguém vai pro céu”

O Ponto – Paulo Roberto de Aquino Ney

 
 
Salve o soneto para sermos um ponto de reticências…
contínuo e agregador!
 
ponto do horizonte
 
Era uma vez um ponto, um ponto pequenino,
que queria ser mais que um ponto… e um dia, então,
Deus lhe deu, na aparência, o mágico destino
do belo e singular ponto de exclamação.
 
Feliz, a carregar aquele traço fino,
igual, na vertical, ao traço de união,
nem percebeu na hora o grande desatino
que haveria de vir daquela interjeição.
 
O tempo foi passando, e o ponto, sob o peso
do traço, foi perdendo o seu aspecto coeso,
e curvou-se, afinal, numa interrogação:
 
– O que será de mim nas mãos do analfabeto?
Quisera ser, de novo, um ponto, irrequieto,
singelo em qualquer língua, exato em qualquer mão!

Arte e vida urbana – Thales Albertassi

(fotografiaterapia.blogspot.com )

(fotografiaterapia.blogspot.com )

O que vai incendiar
atenção humana
chamejando cabeças
além da vida mundana?
 
Que seja a beleza natural
Mista do oriente
no ocidental
Vinda do globo
o país azul
 
Do teatro velho
Do centro urbano
Ao som do clássico-contemporâneo
de um piano
 
Com letra poética sincera
Com cinema e balada barata
da classe média
Cerveja em copo
e café na média
 
Há nada para desfazer
O povo gosta de comédia
Pão com manteiga e prosa
Nos balcões de boteco e novela nova
dos centros de mão de obra
 
Obras que precisam de mãos
Mãos que o metrô transporta
 
Que no asfalto rolam em pneus
de borracha amazônica velha
do comboio apertado
Na floresta empedrada cinza
 
Floresta da massa agitada
Pelo domingo de urna
Pelo rebaixamento do time
Que o povo cordial
não pode ver engolido
Isso vai ser revertido!
 
Num próximo domingo
 
Quando houver um bom motivo
Pra alegrar tantas mãos e braços
Que todo dia acorda pobre
E dorme cheia de arte
de viver
na cidade