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Justa Inquisição – Renato Miguel

by em 01/09/2015

A um deus de vidro sua atenção se ajoelhava
Trilhas em círculos prometiam ilusões
Era um esgrimista sem florete; sem espada
Um enxadrista sob as ordens dos peões

Sobre a cabeça uma coroa fraturada
Suas sentenças são a justa inquisição
No horizonte seus exércitos sem farda
Na neve clara escorre o sangue dos irmãos

Em seu reinado a cor da pele é lei divina
Os deuses-homens vivem em torres de marfim
Em sua história o amor é feito cocaína
O ódio à paz era princípio, meio e fim

E os condenados como números sem alma
Nus e descalços, seu pecado era existir
À luz vermelha os filhos morrem na calçada
À prata amada o seu fadário era servir

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