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Elegias para o mar – Renato Miguel

by em 08/01/2015

Nascera em um mundo em que todos os navios levavam em seus cascos os nomes de belas mulheres. Seus capitães, com os rostos sofridos, morriam cedo, mas assim era a vida dos homens que viviam no mar. No mar fora criado, embora pouco soubesse nadar. As ondas causavam grande fascínio. Eram ferozes e destruíam as mais fortes embarcações. Eram gentis e, com espumas brancas, beijavam os pés dos jovens que corriam chapinhando gotas salgadas ao sabor do vento. Era o melhor e o pior da vida. O céu e o inferno. Era poesia nos dias de sol e um canto fúnebre em uma borrasca. Uma corda bamba sobre o paraíso. E o inferno espreitava logo abaixo. Nada disso o assustava, no entanto, pois já havia encomendado ao Grande Armador seu próprio veleiro. E seu casco também ostentaria o nome de uma jovem mulher, do tipo que não usa flores no cabelo e não entoa canções à primeira luz da manhã, que não perdoa e responde em maior tom as ofensas que recebe; daquele tipo que concentra toda a doçura nos lábios e não no ser ou no obrar. Os homens mais velhos diziam que ele era louco… Morrerá cedo, advertiam. Não se entristeçam por mim, ele respondia. Ao meu lado tenho todos os poetas do mundo. E assim é a vida dos homens que vivem no mar.

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