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O que eu não sei sobre o amor – Renato Miguel

by em 20/05/2014

Aonde você foi?
Há tempos foste embora.
A imagem do teu canto
Não tarda, mas demora.
Quem disse que há vida
Nos veios desta estrada?
Cala e me assombra.
Berra e não diz nada.
Prossegue e não enxerga.
Procura e não encontra.
Discursa e ninguém ouve.
Não bebe, mas derrama.
Tu sangras sem chorar.
Tu choras sem sofrer.
Cortou-se sem sangrar,
Matou-me sem saber.
Não sabe o que te espera
Nesta cidade morta.
Lá, a mágoa é que é sincera;
Lá, o falso é quem te exorta.
Não olha o que lhe salta
Às portas da visão?
Não sabe que as palavras
Não seguem o coração?
Tens tudo e não tem nada
Este ouro não é seu.
Teu corpo é belo e triste.
Tua aura é feito um breu.
[Mas, veja…]
Houve um findo tempo
De lágrimas vertidas,
De tristes desalentos,
De flores não colhidas,
De um céu frio e cinzento,
De joias destruídas.
Mas foi-se, não há mais.
Despreza esse rancor.
Não olhe para trás
Não dê razão à dor.
Não sonhe com as estrelas.
O céu não podes tocar.
Não se iluda com promessas.
Não se deixe acreditar
Que a rotina é uma aventura,
Que o amor já se perdeu,
Que a tristeza não tem cura,
Que há fulgor maior que o seu.
Porque vejo aos pés de Deus
Velhos homens terminados.
Amargor no céu da boca
Olhos tristes, desolados.
Podes ler este poema
E a estes homens explicar
Que ao viver não há dilema
Se souberem o que é amar.

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