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Olha, cara… – Renato Miguel

by em 09/05/2014

– Olha, cara, preciso te falar uma coisa. Na amizade mesmo, porque te considero muito mesmo, quase como um irmão, sabe? É que você às vezes é chato. Não é sempre, mas às vezes. Quer dizer, várias vezes. Muitas vezes você é muito chato. As pessoas não gostam muito de você. Quando você chega elas inventam uma desculpa pra ir embora, ninguém te aguenta por muito tempo. Não sei se é a sua voz que é irritante ou se é o fato de você ser meio inconveniente. Você fala coisas que não deve, pras pessoas erradas. Isso deixa todo mundo meio injuriado, num nervosismo contido. Aí todos têm que fingir que aceitam numa boa, quando na verdade estão é te xingando em pensamentos. Outra coisa que eu queria te falar é que você é muito sem graça, rapaz. As suas piadas são inoportunas, fracas e muitas vezes de gosto duvidoso. Ninguém te acha engraçado, embora você se esforce muito pra isso. Chega a ser ridículo, na verdade, quando você tenta ser espirituoso. Te falo numa boa, porque sou muito seu amigo e gosto muito de você, mas eu sempre tenho que fingir que estou rindo de algum gracejo seu, quando na verdade eu queria poder cuspir no chão. No entanto, pra ser justo, acho que também ocorre um certo preconceito por parte das outras pessoas em razão de você ser um cara limitado. Assim, numa boa mesmo, porque somos amigos, mas você é uma pessoa burra, estúpida, até. Não diria ignorante, é só burrice mesmo. Você fala coisas que me fazem rir por dentro de tão absurdas que soam. Sério, você fala muita merda. Na verdade, de cada dez coisas que você fala, oito deveriam ter saído da sua bunda, com todo respeito à sua bunda heheh. Mas falando sério, você é massivamente burro. Com toda a sinceridade, você é uma das pessoas mais burras que eu já conheci. E olha que eu conheço muita gente burra, muita gente mesmo mesmo. Só tô te dando esse toque porque somos amigos. E por falar nisso, já que estamos sendo sinceros aqui, acho que você devia fazer alguma coisa, sabe? Em relação à sua aparência, porque é meio que um consenso que você é muito feio. Um dos caras mais feios da cidade. Sério mesmo, quando eu vejo a sua cara se aproximando, meu estômago fica embrulhado imediatamente. Eu nem gosto de comer próximo a você pra não sentir vontade de vomitar, tamanha é a sua feiura. Não sei se é o corte de cabelo meio medieval, se são as suas roupas horrendas e surradas, mas às vezes parece que você é deformado ou algo assim, com todo o respeito, não quero ofender, só dar um toque, porque somos amigos. E outra coisa que é bom falar, já que estamos aqui, é que você fede muito, rapaz. Quando a gente se conheceu eu fiquei cerca de quarenta minutos achando que tinha pisado num bolo de merda, até que eu notei que esse cheiro nauseabundo vinha de você. Não sei explicar muito bem, mas é uma mistura de animal morto e resíduos de lixo, sei lá. Não que me incomode tanto, já estou mais ou menos acostumado, apesar de eu só respirar pela boca quando tô perto de você, mas, de qualquer jeito, não há problema. Eu só digo essas coisas porque gosto muito de tu, cara. Sério mesmo, você pra mim é um irmão e só quero te ver bem.

– Poxa, irmão, valeu pelo toque! O que precisar é só falar comigo, hein! Tu é o cara.

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