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O Ponto – Paulo Roberto de Aquino Ney

by em 09/11/2013
 
 
Salve o soneto para sermos um ponto de reticências…
contínuo e agregador!
 
ponto do horizonte
 
Era uma vez um ponto, um ponto pequenino,
que queria ser mais que um ponto… e um dia, então,
Deus lhe deu, na aparência, o mágico destino
do belo e singular ponto de exclamação.
 
Feliz, a carregar aquele traço fino,
igual, na vertical, ao traço de união,
nem percebeu na hora o grande desatino
que haveria de vir daquela interjeição.
 
O tempo foi passando, e o ponto, sob o peso
do traço, foi perdendo o seu aspecto coeso,
e curvou-se, afinal, numa interrogação:
 
– O que será de mim nas mãos do analfabeto?
Quisera ser, de novo, um ponto, irrequieto,
singelo em qualquer língua, exato em qualquer mão!
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