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Dois brilhos na multidão – Renato Miguel

by em 07/08/2013

Pra começar, é certo dizer que eram escuros, mas bem destacados contra o globo branco. Brilhavam, embora os músculos em volta sugerissem algo de triste. Eram grandes. E eram muito belos. Dizer que eram olhos de lince seria um velho clichê. Seria verdadeiro, no entanto; e talvez fosse até adequado. Mas não quero falar do rosto que coroavam, quero apenas falar dos olhos. Não que o rosto não seja digno de nota, mas com eles, talvez, tenha usado já bons – e suficientes – litros de tinta. Longos cílios se beijavam quando as pálpebras piscavam e, às vezes, uns fios de cabelos pretos caíam por cima quando a cabeça se movia, mas mãos delicadas logo tratavam de levá-los de volta para trás das orelhas. Eram olhos tranquilos, porque destoavam do que estava por baixo. Eram fixos. Conscientemente fugiam aos meus. Decididamente cortavam-me a carne. Muito sabiamente mandavam-me embora.

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