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A volta do grito ao surdo e da cor ao cego (Capítulo I [Parte 1]) – Thiago Amério

by em 06/06/2013

Em meio a volta daquela viela, no pôr do sol de junho, o cego, chamado Sioloé, homem nobre que sabia ver além, cantou em bom tom aos quatro ventos:

Janio-Quadros

– Quem sabe dizer, de que cor é o amor? Então diz por favor… de que cor é então? É da cor da bondade, caridade e perdão…

O surdo, batizado de Efatá, observando aquele então desconhecido cantarolando, e como de costume, apesar de sequer ouvir (ou perceber sua cegueira), julgou-o como doido. Pensou consigo:

– Como pode, um homem tão bem vestido, de óculos escuros, bem na hora da saída, gritar aos ventos só?

Como não compreendia a diferença entre grito e canto, o surdo que não lia, continuou varrendo a rua, como há muito tempo fizera, desde quando tinha, gesticuladamente, pedido (e recebido) ajuda do prefeito logo após a morte de sua mãe (solteira) que na época servia leite ao governo municipal.

Ao passo que Sioloé cantava Efatá varria.

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