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O bom e o mal – Ana Ney

by em 07/01/2013

(Em nome do bem pode-se fazer o mal?)

tolerancia

Adormeço pensando em uma piada com uma carreira que foi escolhida por vários membros da minha família. Ela é mais ou menos assim:

Morre um engenheiro e quando chega ao céu São Pedro atende e informa que ele não está sendo esperado lá (o santo possui uma lista). Triste o engenheiro vai ao inferno e lá, é “bem” recebido, se instala e usa seus conhecimentos para tornar o local mais agradável. Faz sistema de refrigeração, piscinas, organiza as construções, enfim, usa suas habilidades profissionais tornando o inferno melhor. Enquanto isso, São Pedro, “percebe” que houve um equívoco e tenta reverter a situação mostrando a lista com o nome do engenheiro ao chefe do inferno, que se nega e exalta as melhorias nos seus domínios. São Pedro se aborrece dizendo ser contra a lei e afirma que vai resolver tudo na justiça. O Chefão ri e pergunta: como irá encontrar um advogado no céu?

Piadas a parte, se todos os advogados estão destinados ao inferno… escrevo sobre umas questões que me inquietam ultimamente.

Por que o bom tem que ter tantas regras?

Rótulos, listas, regras, causas estão a serviço da organização do bem ou são restrições cooperando a serviço do mal?

Pode o bom ser desagregador? Isto não seria incoerente? Não estaria implícita na bondade a união?

Quando desprezamos a possibilidade de somar não estamos favorecendo o mal?

Por que o mal sempre está com as portas abertas?

O “bom” quando tem poder de exclusão está realmente a serviço do bem?

A bondade não deveria ser “atraente”?

Quando o bom transforma o ambiente mal e o aperfeiçoa ele está se tornando melhor ou pior? O que seria um inferno agradável?

É possível “mau” a favor do bem (como quando o engenheiro é condenado a viver no inferno e o aperfeiçoa de bom grado) e o “bom” cooperando com o mal (quando São Pedro proíbe a sua entrada ao céu)?

Aliás, existe o “bom” e o “mau”?

Para ser bom precisa estar em uma “lista dos permitidos” provando para ter aceitação enquanto o mau não precisa ser provado?

Com certeza existem diferenças, inclusive entre os diversos níveis de certeza.

Porém, incluindo-me em um mundo certo de imperfeições, gostaria de encontrar pessoas “não tão boas” (as únicas possíveis de se encontrar), mas que, sobretudo, me fizessem bem.

One Comment
  1. Carla Guedes permalink

    Belo texto! Vem de encontro ao momento que estou vivendo, e dá voz a algumas de minhas próprias indagações…

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