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Anti-cinesia – Carla Guedes

by em 08/05/2012

[Pausa]
pro aplauso, pro abraço,
e também pra foto
n’aquele segundo nosso
eternizado na retina.

[Pausa]
pra vida que passa corrida,
escrava da rotina,
e que a gente ainda insiste
em agarrar pelos dedos:
feito criança agarra areia
quando o corpo tá todo dentro do mar.

[Pausa]
pra lua minguante despontar
no momento mais latente
e de rebrilhar brejeiro
com hora e minuto marcado.

[Pausa]
pro Rio de Janeiro
de passo apressado:
eu tentando a [pausa] desesperada
na bolha de sabão efêmera
que a vendedora produz
por uma pechincha na calçada.

[Pausa]
pra viver mais,
e pra lembrar do gosto
do meu doce predileto.

[Pausa]
pra lembrar o sonho que tive
contigo, decerto:
comigo comprando rosas rubras
pra te ofertar;

e

[Pausa]
pra ressonhar o sonho
de hoje e amanhã:
aquele que me fará
abrir os olhos e levantar cedo
(ou às vezes, nem sempre).

[Pausa]
pra fechar os olhos
e me permitir escutar
a voz que eu não me permito
ouvir logo:
e que é minha própria,
silenciando enfaticamente.

[Pausa]
pra ser feliz
e poder não lembrar
de quando era quando
nada dessa alegria havia;

[Pausa]
pra minha pausa
que eterniza pausas na vida:
[Pausa] e aplausos
pra amiga poesia!

From → Carla Guedes

One Comment
  1. Como sempre, ótima poesia!!!!

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