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Sopro – Renato T. de Miguel

by em 30/03/2012

Voei por sobre as ondas, levando espumas brancas aos pés de dois jovens que corriam à beira-mar; corri por entre as árvores, saudando suas folhas com o anúncio do outono; beijei a coroa de uma montanha violentamente, trazendo a frieza do inverno às bandeiras que os corajosos ali fincaram; voejei em círculos acima das planícies amarelas de trigo e girassóis que, embora tão belas, a poucos olhos se exibiram; serpenteei por entre os arranha-céus de vidro, concreto e metal que surgiam espetados naquele mundo de pedra; choquei-me contra os rostos dos homens sofridos que viviam no mar, e não senti pena; carreguei e levei embora nuvens e tempestades; fui amaldiçoado por fazendeiros e amado pelas crianças; trouxe luz e destruição a incontáveis almas; movi moinhos; fui tema de canções. Tudo isso eu fiz, porque sou o vento. Todos me abraçaram, mas vivo sozinho, porque sou o vento… soprei nos cabelos de mil de donzelas, mas fui incapaz de amá-las. Homens e mulheres me viram nos sonhos e, ali, eram livres, porque porque em meu rastro flutuavam. Quem me dera mantivessem os pés no chão, pois conseguem amar e assim, de fato, voar. Queria, ao menos por um dia, não ser o vento.

3 Comentários
  1. E agora este é meu novo preferido!!!!! Adorei!!!!

  2. Que bom que gostou! 🙂

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