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Andar só – Thiago Amério

by em 05/03/2012

Já se ouvia na bossa: “(…) é impossível ser feliz sozinho”.
Quando me refiro ao verbo andar é para abstrair. Não só no sentido de caminhar ou percorrer uma distância, mas em toda e qualquer situação em que se pode estar por aí, e no contexto do título: sozinho.
Não pretendo definir o que estas duas palavras representam juntas, apenas gostaria de expressar algumas emoções ou sentimentos que, para mim, o “andar só” exprime.
1º – coragem:
É ou não é corajoso aquele que vai a algum lugar só?  Imagine uma vontade imensa de ir aonde sua cabeça quiser (festa, praia, cinema) e você, que normalmente, e no máximo, só se permite almoçar sozinho (meio contrariado eu sei), não precisa freá-la quando inexiste alguém pra “te acompanhar”. – Ei amigo vamos? Não? Tudo bem… – simplesmente, vai.
2º – autoconfiança:
Quem possui coragem, via de regra, é confiante. Para ser suficiente por si mesmo, o pulo é baixo. Então, facilmente, o antes corajoso, detém a nova característica. Basta uma observação (alheia): – nossa, está vendo aquele ali, confia tanto em si que não precisa de mais ninguém. Está ali: completo por si. –
3º – misteriosidade:
Quase um James Bond por ser diferente (ao menos não é tão comum), e, aquilo que destoa, inevitavelmente, chama atenção ou atrai, o mistério torna-se inevitável.  A pretendente pensa (alguma até diz): – quem será ele? – a dúvida vira charme, e em alguns, até perigo.
4º – insanidade:
Não é a regra quando o “andar só” é efêmero. Como diria R. Amarante em sua épica entrevista: “não porque nem sempre”.  Andar só faz parte da vida. Agora, se o andar só vira a vida… ele vira o sempre. Neste caso, resta ser patológico: loucura.
Se somos ou não seres sociais (busco questionamento e não certeza) é cediço a nossa necessidade de “socializar”(uns com mais intensidade com menos gente, outros, ao contrário), e isso, não se faz andando só (sempre) .
Talvez possa ser um estado passageiro de falsa confiança infeliz. Enfim, Tom Jobim, já deu a deixa lá em cima. Será impossível? Ser feliz… possivelmente. Mas “o caminho do só” existe (e será o “para sempre” para os loucos?).

Thiago Amério.

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