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O valor da areia de um mar e a mão – Thiago Amério

by em 29/02/2012

O valor das coisas, e neste contexto o da areia, não é, necessariamente, o do bem ou mal. Pode ser. Mas também é passível de ser uma mistura. Homogênea? A ponto de não identificar onde há prevalência desses opostos? De modo que não se consiga precisar nunca? Pelo simples fato de inexistir em nossos olhos humanos, arte capaz de promover a separação fiel. Enfim, o importante é saber: independente de qual seja o valor, ele se encontrará nas areias de um mar.

E basta ir lá, de preferência de pés descalços em dia ensolarado, para escolher a quantidade e que tipo de areia quiser. Não há limites de peso, gosto, credo, pureza ou sujeira para buscá-la. E o melhor (aos preguiçosos ou sortudos): não é preciso ir pessoalmente. Noutras palavras, quem gostar de acrescentar um balde de areia a um vizinho, amigo ou irmão, nem precisa de autorização. Basta vontade sincera (ou até “marketeira”). Pegou, levou e deu. Pronto. Quem recebeu nem precisa agradecer, só é necessário, se for possível, reter.

E é nesse momento que a personagem principal entra:
– Prazer – só diz ela. É a mão.

Pra quem não a conhece, ela é única. Pensam até ser essa masculina, pela aparência do seu nome, entretanto, ELA é feminina e bem definida (o artigo “a” não é em vão). Reza a lenda, urbana e folclórica, que sua capacidade de absorver areia é imensa. Agora, energia potencial não é mecânica, assim como capacidade não é prática. Quem consegue fechá-la? Apertá-la com a finalidade de não deixar cair os grãos? Já estava me esquecendo de informar um grande defeito (ou necessidade) da mão: ela não tem força própria, não é um ser autônomo. Ela é uma espécie de marionete.

Mas… um mar, indefinido por sua generalidade, só ingressaria na história para acompanhar a areia? Não é um papel mesquinho quando reparamos nossa imensidão azul? Afinal, só o céu, caso fosse sempre azul, teria cor maior para barrar o tamanho do mar. Sem grandes indagações, mar simbolizaria a vontade. Vontade não possui sentido completo. Preenchendo-o, seria o desejo de molhar, ou não, a areia. Alguém já reparou que a ampulheta não se molha? Mesmo com toda a força, incapaz de se doar, caso se feche a mão com a areia, existindo a água do mar, ela irá deslizar e voltar ao chão.

Mas quem controla a mão? Seriam os presenteadores de areia? Acho que VOCÊ já descobriu…

From → Thiago Amério

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